Apesar de estar sempre associada à tradições, a Meditação tem reunido um grande número de adeptos que a incorporam em suas vidas cotidianas, sem necessariamente “converter-se” à religião correspondente, adquirindo então, uma nova função na pós – modernidade: é considerada uma fonte de redução da ansiedade e do estresse.
Através do pensamento meditativo é possível criar o estado em que
podemos desfazer as ilusões egóicas com as quais nos apegamos, como por
exemplo, as noções de “sou homem” ou “sou cristão”. Por sua vez, o afastamento
destas sobreposições permite ao indivíduo a contemplação direta do seu Ser
interior (Deus).
Para o desenvolvimento desta atitude meditativa, o autor Sasaki descreve
quatro pontos fundamentais necessários: o silêncio: o qual é
dificilmente vivenciado no mundo moderno; a solitude: o treino da arte de permanecer
em silêncio; a plena atenção: estar atento ao momento presente;
e o respeito: já que a meditação estabelece um encontro com o que
há de sagrado em nós.
Na tradição budista, a prática da meditação é uma condição essencial ao
caminho da iluminação, tendo assim, um objetivo superior ao simples estado de
relaxamento e calma. O seu propósito é encontrar um caminho para a iluminação,
pois à medida que somos responsáveis pelos nossos sofrimentos, também o somos
por nossa cura.
As três grandes escolas do Budismo possuem técnicas diferentes de
meditação, apesar de apresentarem preceitos semelhantes em sua essência.
A escola Theravada ou Hinayana (Pequeno
Veículo) apresenta 40 tipos de meditação como absorção (sânscrito dhyana ),
contemplação (sãns. samapati) e concentração (sãns. Samadhi ), sendo que o
método mais conhecido é a meditação sobre a respiração. A partir do
desenvolvimento da plena atenção sobre a respiração, a mesma é ampliada para
todas as atividades da vida, agindo como uma chave para a integração psíquica.
No Budismo Vajrayana (Veículo Diamantino) ou tibetano,
utiliza-se meditações para familiarizar a mente concentrada (sãns.
chittakagrata ) com um objeto de suporte (sãns. alambana ) de meditação, que
pode ser um Buda, um bodhisattva , um mandala , dentre outros.
Existem quatro escolas principais do budismo tibetano: a Nyingma, Kagyupa, Sakya e Gelug .
Cada uma delas está baseada em eruditos hindus distintos e variações nas formas
de instruções .
Na linhagem Kagyupa , a meditação é dividida em duas fases:
Shine (pacificação mental), que visa acalmar gradualmente a agitação
interior. Ela pode ser realizada utilizando-se um suporte puro que possui um
caráter sagrado (Buda, por exemplo); um suporte impuro (como uma montanha, uma
mesa, vela…) ou sem nenhum suporte.
Lhaktong (visão superior) que visa o despertar, desenraizar do apego
egocêntrico.
Na escola Mahayana (Grande Veículo), o Zen é o mais
conhecido. O Zen (meditação, chan, em chinês) também significa uma técnica de
meditação, o desenvolvimento da intuição e determinada forma de arte. Foi
fundado na China por Bodhidharma e desenvolveu-se em duas escolas no Japão:
Rinzai e Soto . Há duas práticas principais de meditação Zen, ou Zazen (“zen
sentado”): concentrar-se em um Koan (enigma) ou o mondo (controvérsia) ou
ainda, simplesmente sentar-se com a atenção consciente e sem ajuda exterior
(Fadiman & Frager, 1979). O Koan (Kung-na) consiste numa frase ou história
paradoxal e que, portanto, não possui uma reposta lógica. O método consiste em
tomar uma frase paradoxal e tentar solucioná-la.
Geralmente isso é realizado dentro de um contexto específico, no qual o
mestre confere ao discípulo um koan que o leva a meditar pelo restante do dia,
semana, mês ou ano. O objetivo é quebrar o discurso lógico para a obtenção de
uma resposta intuitiva.
No Zazen o praticante senta-se com o tronco ereto (seja numa almofada,
cadeira ou banquinho), as pernas dobradas, olhos abertos e, nesta posição,
respira profunda e regularmente fazendo a mente descansar no momento presente.
O ponto crucial é o “esvaziamento” da consciência do Eu, abandonando o modo de
pensar em termos de contradições entre o eu e o objeto, o vidente e o visto, o ouvinte
e ouvido, pensante e pensado, eu e o outro. À medida que se aprofunda na
prática, espera-se chegar ao estado de pura consiência (samadhi), também
chamado de não-pensar (em japonês: hi-shiryo ). Não deve-se confundir,
entretanto, esse estado com a distração, passividade. Pelo contrário, é o
estado de profundo engajamento no momento presente, como demonstra a seguinte
passagem:
“Certa vez, quando o Grande Mestre Hung-Tao de
Yueh-Shan estava sentado (em meditação),
perguntou-lhe um monge:
O que você está pensando, (sentado aí) tão fixamente ?
O mestre respondeu: Estou pensando no não-pensar.
O monge perguntou: Como você pensar no não-pensar ?
O mestre respondeu: Não-pensando”.
perguntou-lhe um monge:
O que você está pensando, (sentado aí) tão fixamente ?
O mestre respondeu: Estou pensando no não-pensar.
O monge perguntou: Como você pensar no não-pensar ?
O mestre respondeu: Não-pensando”.
Para a tradição Hindu, a prática meditativa compreende uma das fases do
sistema do yoga segundo Patãnjali (apud Fadiman & Frager, 1979): yama
(preceitos morais), nyamas (prescrições éticas), àsanas (posturas físicas),
pranayamas (exercícios respiratórios), pratyáhara (abstração dos sentidos),
dháraná (concentração), dhyána (meditação) e samadhi (iluminação).
É possível notar que as raízes das práticas meditativas estão calcadas
em tradições religiosas de diferentes culturas. Apesar de não citadas,
tradições como o Cristianismo, Judaísmo e Islamismo também possuem métodos
específicos de religação do indivíduo aos princípios superiores: Deus, Self, Eu
Superior.
Alguns conceitos que, de forma diferente, são atribuídos à meditação
pelas diversas tradições:
a) Estado de focalização da consciência em um suporte, que
pode ser uma função biológica (cardíaca ou respiratória), no fluxo dos
pensamentos, em objetos (um mandala, uma divindade, uma vela, etc.), sons etc.
O objetivo deste tipo de meditação é unificar a mente por meio do controle
sobre os órgãos sensoriais, principalmente o visual e o auditivo. A
concentração (atenção plena) é considerada a base de todas as práticas, pois
permite a estabilização mental e o seu consecutivo aprofundamento ;
b) Estado de distensão (relaxamento) físico, emocional e mental.
Esse estado também se constitui um suporte básico para as práticas meditativas
(alinhamento e estabilização de corpo, fala e mente);
c) Identificação plena com uma qualidade, princípio ou imagem
devocional. Relaciona-se às práticas de contemplação ou visualização de
divindades (Buda, Jesus…). Tem como objetivo, a emergência dos conteúdos
arquetípicos (aspectos divinos) no interior da psiquê. Na tradição budista, os
temas que devem ser contemplados são referentes às três Jóias : Sangha, Dharma
e Buda;
d) Silêncio mental, onde quase não se registram sensações ou
pensamentos. A esse conceito aplica-se a prática do sazen que possui como
foco central o esvaziamento da consciência do eu, abandonando o modo de pensar que
produz fragmentações entre: sujeito e objeto, ouvinte e ouvido, prazer e dor,
etc. Busca-se um estado de pura consciência, também chamado de “não – pensar”
(em japonês: hi – shiryo );
(em japonês: hi – shiryo );
e) Estado reflexivo. Refere-se ao conceito atribuído pela
tradição cristã: meditare (pensar sobre). A meditação tem características de
uma atividade de reflexão. Com ela, busca-se uma ascese mental através da
contemplação dos princípios universais;
A prática contínua da meditação relaciona-se a uma série de qualidades
mentais que são desenvolvidas, chamadas “Sete Fatores do Despertar” (
sãns. sapta – bodhyanga ).
O primeiro é equilibrante, trazendo harmonia para os outros seis. Os três seguintes são energizantes, trazendo energia e motivação à mente. Os três últimos são estabilizadores e atuam para o assentamento da mente:
O primeiro é equilibrante, trazendo harmonia para os outros seis. Os três seguintes são energizantes, trazendo energia e motivação à mente. Os três últimos são estabilizadores e atuam para o assentamento da mente:
Plena Atenção (em
páli – Sati ): consciência do que ocorre a cada momento. Pode estar apoiada
sobre o corpo, os sentimentos, os estados mentais ou sobre a natureza
fundamental da realidade;
Investigação ( dhammavicâyâ ): surgindo da atenção, representa o interesse alimentado para o aperfeiçoamento e aprofundamento da meditação;
Esforço ( viriya ): surge da investigação e representa a energia bem empregada. Esforço para manter a atenção através da prática (motivação);
Alegria ( pîti ): apesar de atentos, cheios de energia e interessados, devemos conduzirmo- nos com leveza;
Tranqüilidade ( passaddhi ): relacionada ao estado e desconcentração, não identificação e desapegos. É o descanso pacífico sobre corpo e mente;
Concentração ( samâdhi ): o interesse desperta a atenção sobre algo, sendo necessária a existência de um foco (concentração) e energia para sustentá-lo;
Equanimidade ( upekkhâ ): é a capacidade de experienciar de maneira estável, as diferentes situações. É o recebimento das situações agradáveis ou desagradáveis com mais equanimidade.
Investigação ( dhammavicâyâ ): surgindo da atenção, representa o interesse alimentado para o aperfeiçoamento e aprofundamento da meditação;
Esforço ( viriya ): surge da investigação e representa a energia bem empregada. Esforço para manter a atenção através da prática (motivação);
Alegria ( pîti ): apesar de atentos, cheios de energia e interessados, devemos conduzirmo- nos com leveza;
Tranqüilidade ( passaddhi ): relacionada ao estado e desconcentração, não identificação e desapegos. É o descanso pacífico sobre corpo e mente;
Concentração ( samâdhi ): o interesse desperta a atenção sobre algo, sendo necessária a existência de um foco (concentração) e energia para sustentá-lo;
Equanimidade ( upekkhâ ): é a capacidade de experienciar de maneira estável, as diferentes situações. É o recebimento das situações agradáveis ou desagradáveis com mais equanimidade.
