O início
A Alemanha havia sido esmagada na 1a. Guerra e
humilhada em Versalhes. A economia estava em colapso. Multidões de
desempregados vagavam pelas ruas aguardando a explosão de uma revolução ao
estilo da soviética. Em novembro de 1918 o Kaiser Guilherme II foi deposto e
assume o poder uma coalizão de sociais-democratas e liberais, conhecida como
República de Weimar.
Em reação ao cenário catastrófico e ao clima depressivo, surge um novo homem, uma criatura sensível, dotada de extrema criatividade intelectual e artística,capaz de inventar o presente e o futuro de um século marcado pela modernidade. A esta visão , o arquiteto Walter Gropius (1883-1969) ) deu-lhe em 1919 um nome que se tornaria todo um programa, e o principal fenômeno de arquitetura e design do sec. XX: BAUHAUS.
Em reação ao cenário catastrófico e ao clima depressivo, surge um novo homem, uma criatura sensível, dotada de extrema criatividade intelectual e artística,capaz de inventar o presente e o futuro de um século marcado pela modernidade. A esta visão , o arquiteto Walter Gropius (1883-1969) ) deu-lhe em 1919 um nome que se tornaria todo um programa, e o principal fenômeno de arquitetura e design do sec. XX: BAUHAUS.
A escola Bauhaus
Bauhaus é a inversão do termo HAUSBAU (construção
da casa) para BAUHAUS (casa da construção). Por seu neologismo, Gropius fazia
referência à Bauhütte, loja ou centro das corporações de construtores de
catedrais na Idade Média. A Idade Média viu na catedral um templo de união
entre vida e arte. A própria escola fundada por Gropius identificava-se com uma
casa em forma de catedral ou farol, destinada, como as igrejas da Idade Média ,
a divulgar as boas novas. Uma entalhe em madeira intitulado
"Catedral", de Lyonel Feininger (1871/1956) ilustra em 1919 o
manisfesto de criação da Bauhaus. Ancorada nas idéias da Escola de Arts and
Crafts (Artes e Ofícios) ,de Henry van de Velde, aberta em 1906 em Weimar , inspirada
no movimento de mesmo nome surgido na Inglaterra no apogeu do Período
Vitoriano, do Deutscher Werkbund , (grupo de artistas arquitetos e artesão cujo
objetivo era aperfeiçoar o design dos produtos industrializados), bem como em
outras correntes reformadoras, a Bauhaus atinge uma notoriedade que ultrapassa
as fronteiras da Alemanha. "Arte e técnica, uma nova unidade",é a
fórmula que resumia o programa de uma vasta exposição em 1923,"Staatliches
Bauhaus" e contribui rapidamente a divulgar a Bauhaus.
A Bauhaus foi dividida em dois setores: a Academia
de Arte Pictórica e a Academia de Artes e Ofícios.
O principal objetivo era o de acomodar as multidões
em pouco espaço, promovendo moradia para os sobreviventes. Em 1932, nenhum
outro país construiu mais habitações populares e sua maior parte erguida com o
dinheiro de impostos.
Os princípios
Gropius e os seguidores da Escola Bauhaus desejavam
alterar a face da sociedade, através de uma arquitetura que apelasse ao
espírito e à inteligência e exaltasse a modernidade, despojada dos excessos da
época Imperial,. Esta arquitetura era baseada em 3 princípios:
1. direcionamento da nova arquitetura para os
trabalhadores
2. rejeição de todos os objetos e adereços
burguesas e
3. retorno aos princípios clássicos da arquitetura
ocidental. Cada estudante era treinado por 2 professores, um artista e um
artesão. Como a grande maioria dos arquitetos aderiu aos princípios da Bauhaus,
o resultado foi uma forma clássica de moradia social racional, com paredes
brancas ( a cor era consirerada burguesa) e mobílias funcionais em aço, tecido
com fibras, desenhos e texturas inovadores. Externamente, as construções eram
brancas, cinzas, beges ou pretas, verdadeiras teorias construídas em forma de
concreto, aço madeira, estuque, pedra e vidro, com seu telhado plano e fachada
pura e a predominância da linha horizontal, excluindo-se as cornijas.
Assim como a arquitetura, os objetos da vida cotidiana deveriam possuir uma qualidade material e atingir a harmonia da forma e da função sem detalhes decorativos supérfluos, inaugurando assim a era funcionalista.
Durante um curto período de 14 anos, a Bauhaus e a jovem República Alemã compartilham desse desejo de renovação. Enquanto que a primeira, na ebulição de seus ateliers propunha uma nova cultura ao homem e seu ambiente, a segunda, através de seus políticos se esforçava em democratizar a sociedade. Além da Bauhaus, outras escolas de arquitetura e correntes ( Futurista, Wendingen, De Stijil, Construtivista , Elementarista) competiam umas com as outras por uma visão mais pura. As contribuições nas áreas das artes plásticas, cinema, teatro, literatura e filosofia no período da Cultura de Weimar abrigou nomes como Otto Dix, Grosz, Kandinsky, Nolte, Gropius, Lubitsh, Lang, Murnau e Pabst, Hauptmann, Brecht, Reinhardt, Piscator, Os irmãos Mann, Husserl e Heidegger.
Assim como a arquitetura, os objetos da vida cotidiana deveriam possuir uma qualidade material e atingir a harmonia da forma e da função sem detalhes decorativos supérfluos, inaugurando assim a era funcionalista.
Durante um curto período de 14 anos, a Bauhaus e a jovem República Alemã compartilham desse desejo de renovação. Enquanto que a primeira, na ebulição de seus ateliers propunha uma nova cultura ao homem e seu ambiente, a segunda, através de seus políticos se esforçava em democratizar a sociedade. Além da Bauhaus, outras escolas de arquitetura e correntes ( Futurista, Wendingen, De Stijil, Construtivista , Elementarista) competiam umas com as outras por uma visão mais pura. As contribuições nas áreas das artes plásticas, cinema, teatro, literatura e filosofia no período da Cultura de Weimar abrigou nomes como Otto Dix, Grosz, Kandinsky, Nolte, Gropius, Lubitsh, Lang, Murnau e Pabst, Hauptmann, Brecht, Reinhardt, Piscator, Os irmãos Mann, Husserl e Heidegger.
As três fases da Bauhaus
Desde sua criação a Bauhaus passou por 3 diferentes
e sucessivas fases.
A primeira, na época de Weimar, a poética e
charmosa capital da Thuringia, relaciona-se com revolução estética preconizada
pelos vanguardistas russos. Em seu manifesto de fundação, escreve o pai
espiritual Gropius que a meta de toda atividade plástica é a construção e a
decoração é a tarefa mais nobre das artes. Portanto, a arte deveria integrar-se
à arquitetura. Vangloria-se a produção artesanal . A Bauhaus tornou-se, durante
a República de Weimar, o catalisador de atitudes inteiramente novas em relação
à existência. Seu mérito consiste em abarcar posições artísticas contrárias ao
espírito acadêmico e integrá-las numa abordagem pedagógica não convencional.
Novas modas, exemplos originais de vida comunitária, todas as formas de
expressão testemunham a excepcional criatividade da Bauhaus e sua influência
sobre o espírito do tempo. A segunda fase da Bauhaus dá-se quando a escola se
estabelece em 1926 em Dessau um crescente centro industrial, como um verdadeiro
laboratório da pesquisa formal em um edifício idealizado por Gropius, um marco
da arquitetura moderna. O construtivismo do húngaro Lazlo Maholy-Nagy domina a
escola. Arte e tecnologia deveriam convivessem traumas. É a vez do artesanato
executar apenas modelos para serem destinados à fabricação industrial . A
pesquisa deveria ser rentável.A nova construção em ferro e vidro concebida por
Gropius abrigaria agora os ateliers de produção. Ocorre então uma cisão:
antigos alunos como Feininger desconfiavam desse funcionalismo, mas venceu o
racionalismo e, em 1927, a Bauhaus cria a sua escola de arquitetura por Hannes
Meyer, um marxista radical que dirigiu a instituição até 1930. A última fase é
marcada pela tentativa do arquiteto Mies van der Rohe em salvar a Bauhaus do
extremismo de Meyer e recuperar o projeto inicial, ou seja, conciliar forma,
função e espiritualidade, através de uma rigorosa preocupação com arquitetura.
A democratização termina com o surgimento do Reich
de 1000 anos. Os nacional-socialistas já consideravam a escola uma agremiação
de bolcheviques (não sendo explicitamente comunista o propósito era
comunitário), "demasiadamente internacional" incapaz de traduzir um
ideal ariano de criação e distante das tradições alemãs. Em 1933 os nazistas
colocam um fim à nova cultura intelectual e artística: fecham a Bauhaus.
O exílio
No exterior, no exílio, sobretudo nos EUA e Palestina,
continua a se desenvolver a utopia social da Bauhaus com a mesma energia que na
época de Weimar, Dessau e Berlin. Muitas das estrelas do movimento Bauhaus
migraram para os EUA. Gropius tornou-se presidente da escola de arquitetura de
Harvard. Maholy-Nagy abriu a New Bauhaus que evolui para o Instituto de Design
de Chicago e Mies van der Rohe, diretor da Bauhaus em 1930 foi nomeado reitor
de arquitetura no Armour Institute em Chicago. Logo os arquitetos americanos
estavam aprendendo os princípios do novo estilo Internacional, nome tirado do
livro Arquitetura Internacional por Walter Gropius. A tradição das belas artes,
o estilo Romanesco americano, a Chicago School e até mesmo o legado de Frank
Llooyd Wright foram relegados à margem da estória da arquitetura pelo novo
estilo. Ludwig Mies van er Rohe, afirma mais tarde, com sua consisão
costumeira: somente uma idéia possui essa força de difundir-se tão amplamente.
Esta idéia encarnava uma filosofia da concepção formal capaz de unir
representantes além das fronteiras.
As contribuições da Bauhaus
A expressão corrente "estilo Bauhaus" é
sobretudo associada a algumas obras imutáveis da concepção moderna. No final do
século XX a Bauhaus louvada e elevada ao nível de clássico da vanguarda, pode
ser considerada a pedra fundamental em design e arquitetura dos Modernos de uma
2a. ou 3a. geração. Entre as contribuições específicas da escola destaca-se o
célebre curso preliminar e a concepção pedagógica de uma estreita fusão entre
trabalho de atelier e ensino teórico A multiplicidade dos aspectos abordados e
a riqueza da documentação iconográfica, em parte inédita, permitem apreender o
vasto conjunto temático da Bauhaus em toda a sua diversidade. A Bauhaus foi
reaberta em 1994 em Weimar, Alemanha, justamente a primeira república vítima
dos seguidores de Hitler. Ainda hoje, após 80 anos de sua fundação e apesar de
uma breve existência de apenas 14 anos, a Bauhaus fascina por sua vitalidade.
Oficina de Tecelagem
Em 1922, apenas 3 anos após a criação a Bauhaus, a
Oficina de Tecelagem abarcava mais estudantes do que qualquer outra apesar de
seu desenvolvimento ter sido foi muito mais incidental do que planejado. Com o
crescimento do capitalismo no séc XIX um número sem precedente de mulheres se
juntou à força de trabalho endossando a política de admissão da Bauhaus:
"qualquer pessoa de boa reputação, independente de idade ou sexo, cuja
educação previa for considerada adequada pelo Conselho de Mestres, será
admitida , até o limite em que o espaço permitir". Essa igualdade utópica
tornou-se real. Gropius subestimou o desejo das mulheres em estudarem na
Bauhaus e ficou extrememente alarmado com o contingente feminino de candidatas.
Quase que imediatamente o Conselho de Mestres estabeleceu o Departamento
Feminino, precursor da Oficina de Tecelagem. Este não possuía um programa
definido de estudos sendo que de 1919 a 1920 ocupou seus estudantes com uma
variedade de atividades relacionadas com tecidos, incluindo a execução de
bonecas e animais de pelúcia. Esses itens, os mais populares no estande da
Bauhaus na Feira de Natal de Weimar em 1919, venderam-se rapidamente. A falta
de materiais e fundos durante o pós-guerra era um sério obstáculo o qual não
privou os estudantes de exercerem seu talento. Na realidade era a vontade, a
energia e o entusiasmo das jovens mulheres combinado com a qualidade do
treinamento que deram rumo à Oficina de Tecelagem e assegurou sua ligeira
ascensão em importância dentro da instituição. Em julho de 1921 a escola possuía
um curriculum detalhado para a Oficina VIII, o nome oficial da Oficina de
Tecelagem. Era esperado que os estudantes conhecessem diversas técnicas e
estivessem bastante familiarizados com diversos materiais. Bordar, fazer
crochê, tricotar, costurar, cerzir, eram algumas das atividades que faziam
parte da compreensão da Teoria da Tecelagem. O Curso Básico, assim chamado por
seu criador Johannes Itten , tornou-se obrigatório em 1921. Itten juntou-se a
Lyonel Feiningere a Gerhard Marcks na equipe de Gropius para a fundação da
Bauhaus. Dos 3, ele foi o único que lecionava e trouxe consigo um contingente
de 15 estudantes de seus dias de professor em Viena. Um homem carismático,
Johannes Itten acreditava na criatividade intrínsica de cada indivíduo e demonstrava
uma preocupação genuína pelos jovens. Seguidor de Mazdaznan, religião ancorada
na liberdade e baseada no Zoroastrismo, Itten iniciava suas aulas com um
processe de meditação exercícios respiratórios. Em seguida, pedia aos
estudantes que desenhassem com ambas as mãos, o que sempre resultava em
surpreendente caligrafia, similares a desenhos orientais. Em 1925, na Exposição
Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas em Paris, ele ganhou
uma medalha de ouro não por suas pinturas mas por 2 de seus tapetes. Sua
influência sobre os tecelões era considerável. Itten dava a mesmo importância a
experime Kandisnky posteriormente.Ambos usavam a linguagem da música para
descrever as cores: harmonia, acordes e tons. E assim como os doze tons da
escala cromática, doze cores específicas referiam-se a determinadas partes do
corpo. Os tecelões da Bauhaus desenvolveram seus primeiros tecidos sob
circunstâncias propícias: uma atmosfera que encorajava a exploração pessoal, o
compromisso e a liderança de Gunta Stölzl e instruções artísticas de um grupo
de professores nunca mais novamente reunidos sob o mesmo teto. Em 1921, Georg
Muche substituiu Johannes Itten como orientador da Oficina de Tecelagem. Apesar
de bastante talentoso, a guerra para ele teve um efeito devastador e
definitivo. Havia muita tensão em sua vida e em seu trabalho. Essa tensão
aparecia em várias dicotomias: tensão entre arte abstrata e figurativa, em
aceitar a posição da Bauhaus não exatamente por seu programa mas pelas pessoas
que lá estavam, em rejeitar arte e tecnologia em favor de teares mecânicos e
por último em pressionar os estudantes em se submeterem aos desenhos formais.
Durante os anos de Weimar, a Oficina de Tecelagem atraiu mulheres de enorme
talento e determinação como Martha Erps, Ida Kerkovius, Dörte Helm e Ré
Soupault. Outras como Gunta Stölzl, Benita Otte, Margarete Willers, Gertrud
Arndt , Anni Albers e Mali Ehrman se tornariam as primeiras designers de
tecidos. Todas elas contribuíram para o sucesso da Oficina de Tecelagem na Exibição
da Bauhaus e feiras comerciais em Frankfurt e Leipzig. A oficina de tecelagem
provou ser um agregador de valor à escola. Em Dessau, onde a ênfase era dada ao
design industrial,uma afluência de novos talentos estava pronta para o desafio.
Durante os 14 anos de sua existência, a Oficina de Tecelagem lutou com
infindáveis possibilidades de expressão. "Nós quisemos desenvolver a maior
variedade de tecidos", disse Gunta Stölzl. Com profundo respeito pelos
limites naturais do ofício, os tecelões experimentaram porém nunca imitaram.
Com extrema determinação, entraram em um território nunca mapeado. Com sua
tenacidade, que os transformou em profissionais competentíssimos, aliada a sua
visão e força de caráter, foram pioneiras dentro e fora das fronteiras alemãs.
Weimar, Dessau,Berlim, Amsterdam, Londres, Black Mountain, Chicago, Pond Farm e
Oakland, as mulheres da Bauhaus dirigiam os departamentos de tecelagem e
exploravam idéias, técnicas, arte e tecnologia e elevaram os princípios do
aprendizado e do lecionar. Elas dividiram com uma nova geração de estudantes
sua fé imutável nos poderes de criação do indivíduo. A transformação
fundamental da criação de tecidos de um mero ofício para uma parte integral da
estética do desing contemporâneo aconteceu. E essas mulheres fizeram acontecer.
Gropius Johannes Itten Lyonel Feininger VassilyKandisnsky
Gunta Stöhzl George Muche Gertrud Arndt Anni Albers
Bibliografia:
GIRARD Xavier, Le Bauhaus ,Paris, France, Éditions Assouline, 1999
CARMEL ARTHUR Judith, Bauhaus, London, England, Carlton Books, 2000
FIEDLER Jeannine / FEIERABEND Peter, Bauhaus, Köln, Konemann Verlagsgesellschaft mbH, 1999
GOLÇALVES FILHO Antonio, Jornal O Estado de São Paulo
WELTGE Wortmann Sigrid, Bauhaus Textiles, London, England, Thames and Hudson, 1993
HAYWARD Helena, Worl Furniture, Middlesex, England, The Hamlyn Publishing Group Limited, 1965.